Certificados aforro rendem menos

Certificados aforro rendem menos

Os Certificados Aforro rendem menos. Este mês, passam a ter uma nova série que rende três vezes menos. Os Certificados do Tesouro viram o rendimento cair para metade. Quem fica a ganhar são os bancos.

Dos vários produtos de dívida pública com que o Estado se financia, há dois que são especiais para o aforrador: os Certificados de Aforro e os Certificados do Tesouro Poupança Mais. Ou, pelo menos, eram especiais. Foram anunciadas as novas taxas para os Certificados a vigorar a partir de Fevereiro.

Certificados Aforro rendem menos

O ajustamento dos juros às taxas de mercado era previsível, mas a dimensão do corte foi superior ao que se esperava e tornou os produtos de aforro do Estado muito menos apelativos. Os Certificados Aforro rendem menos e os do Tesouro Poupança Mais também e deixam assim de ser a escolha incontornável entre as aplicações de capital garantido.

Os depósitos a prazo e os seguros de capitalização, que até aqui eram sempre superados pelos Certificados de Aforro ou do Tesouro, vão agora passar a entrar também na equação quando se trata de aplicar em produtos de capital garantido.

A oferta de aplicações “alternativas”, como os depósitos indexados e outros produtos complexos, poderá também aumentar com intuito de captar poupanças dos aforradores, mas tenha cuidado com todos os produtos que anunciam fórmulas milagrosas para multiplicar as poupanças, o risco pode ser demasiado.

A necessidade de aplicar numa ótica de longo prazo também é reforçada por estas alterações nos juros dos Certificados. Com as taxas Euribor perto de zero, só investindo em produtos para o longo prazo poderá contornar os baixos rendimentos.

Taxa líquida cai de 2,2% para 0,8%

Os Certificados Aforro rendem menos, embora sejam um produto de poupança com mais de meio século de história e terem passado por constantes alterações, especialmente nos anos mais recentes. O rendimento de dois dígitos já faz parte de um passado bem distante.

Até Janeiro estava em comercialização a série C, mas ainda há quem tenha títulos das séries A e B, cujo rendimento era praticamente idêntico. Este mês, o Estado cancelou a série C, que passa a estar indisponível para novas subscrições, mas mantém as condições para quem já subscreveu, e criou uma nova série para as subscrições a partir de Fevereiro de 2015: a série D.

O montante mínimo é igualmente de 100 euros e o prazo máximo de 10 anos. O que muda nesta série é a forma de cálculo do rendimento e os prémios de permanência. Enquanto na série C existe um bónus de 2,75% fixo que acresce à taxa base calculada com base na Euribor a três meses, na série D a taxa base é calculada pela soma da média da Euribor a três meses dos últimos 10 dias e 1%.

A soma destas duas partes está limitada entre zero e 3,5%. Além da taxa base, haverá ainda um prémio de permanência de 0,5% atribuído entre o segundo e o quinto ano e de 1% do sexto ao décimo ano, tal como consta no quadro. Assim, o rendimento da série D dos Certificados de Aforro está limitado entre zero e 4,5% bruto, que é a soma de limite de 3,5% da taxa base com o prémio de permanência máximo (1%). Em termos líquidos, o rendimento anual nunca irá superar os 3,2%.

Série D

Já sabemos que os Certificados Aforro rendem menos, a vantagem dos Certificados de Aforro é ser um produto simples. Com um mínimo de subscrição baixo (100 euros), os juros são capitalizados trimestralmente, não tem custos e subscreve-se nos Correios, através da abertura de conta no IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública). O prazo máximo da aplicação é de 10 anos, mas pode ser resgatado em qualquer altura após o primeiro pagamento de juros (ou seja, após três meses).

A taxa para quem subscrever a série D em Fevereiro é de 1,058% bruta, o que em termos líquidos corresponde a 0,8%. Ou seja, os atuais Certificados Aforro rendem menos, passam a render praticamente o mesmo que os depósitos “standard” a doze meses (0,7% líquidos, em média). Além disso, o rendimento é praticamente idêntico à previsão da inflação para este ano (0,7%, segundo o Banco de Portugal).

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Please enable / Bitte aktiviere JavaScript!
Veuillez activer / Por favor activa el Javascript![ Entrar no Site! ]